O dia que eu tive que me desconstruir e reconstruir

By Victória Farias - 18:48:00


Eu sempre fui uma adolescente que gostava muito de ler e escrever. As matérias de produção textual e português, eram minhas preferidas. Eu não era uma aluna nota 10, mas também não estava abaixo da média.

Minha leitura sempre foi acima do normal. Lembro até hoje do primeiro livro que li, "A Bolsa Amarela" de Lygia Bojunga, com muita insistência da minha mãe pois naquela época só queria saber de revistas adolescente e assistir Malhação. Daí em diante, foi a série inteira de Percy Jackson, Thalita Rebouças e os romances do Nicholas Sparks.
Meus amigos não liam livros, eles iam pra rua brincar de pique esconde e pique pega. Com exceção de apenas uma menina da minha sala que lia livros parecidos com os meus. E assim seguiu minha infância e adolescência, vezes lendo mais, vezes lendo menos. 

Quando entrei na faculdade, passei a me dedicar inteiramente a isso. Queria todas as minhas notas acima de 8. Mas é claro que a gente não consegue dar conta de tudo, e minha leitura diminuiu com o tempo, algumas matérias eu também não conseguia manter com notas acima da média. Eu me esforçava, eu dava o meu melhor para tudo que eu fazia. Achava que eu tinha uma bagagem de leitura muito boa. Eu era tão convicta disso, que escrevia meus textos sem medo de errar, como sempre escrevi aqui.

Até que, um belo dia, fui colocada em uma situação na qual me disseram que toda a minha leitura não tinha sido suficiente para que eu exercesse a profissão que eu gostaria: jornalismo. Por alguns segundos, concordei anestesiada. E quando me dei conta, desmoronei. 

É complicado quando te dizem o que fazer, o que melhorar. Por mais que no fundo você saiba que é para o seu bem e para sua construção positiva como profissional, não chega até nós de uma forma tranquila. 

Tudo aquilo que eu tinha feito, e que eu achava que era o meu esforço máximo, enfim não era. Todo recomeço é difícil no início, mas libertador quando as dificuldades passam. Me encontro agora reformulando toda a minha rotina, todo o meu pensamento acerca da minha bagagem literária e sobre minha escrita. 

A verdade é que ler nunca é demais. Leiam e escrevam. Escolham as palavras como suas aliadas, desabafem por elas e nunca (nunca mesmo) a abandonem. 

E assim, não abandonarei mais esse cantinho que me faz ser eu, inteira e completamente eu. 



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